Porque me deixou?


Foi uma sexta-feira vermelha, cor de sangue. Um grito doloroso cortou os céus escuros de Jerusalém em plena tarde: “Deus meu, porque me abandonaste?”
(Marcos 15:34)

faces de jesusA esperança acabou. “Jesus de Nazaré, profeta, homem poderoso em palavra e obras diante de Deus e do povo (…) morreu. (…) e nós que pensávamos que ele traria a redenção a Israel (…)”, disse um discípulo.  (Lucas 24:19-21)

O povo de Israel fora dominado pelos babilônios, persas, por gregos, lutou por independência, mas voltara a ser dominado, dessa vez pelos romanos.
Mas algo novo estava para acontecer. As profecias antigas diziam que surgiria um rei justo, que retomaria para sempre o poderoso legado do rei Davi, o grande rei de Israel. (Jeremias 33:15)

O profeta Daniel deu uma data para o surgimento do Messias: 69 x 7 (483) anos após a ordem para reconstruir Jerusalém, que aconteceu por volta de 450 a.c. , durante o reinado do rei persa Dario II.  (Daniel 9:25)

Por isso, Jesus gerou uma grande expectativa no povo: um filho de Davi, na época do messias, mobilizando o povo, curando enfermos, expulsando demônios, ressuscitando mortos…  ah, pobres romanos. (João 12:12-18)

Mas os romanos não estavam tão preocupados com Jesus. Ao menos não tanto quanto os próprios líderes judeus. Jesus atraía a atenção do povo, muitos falsos profetas já causaram problemas antes dele. Ele dizia ser o caminho para Deus, mas parecia não se importar com certas tradições religiosas. Além disso, chegou ao absurdo de dizer que “não restaria pedra sobre pedra” no templo sagrado*.  (Lucas 21:6)

Ele não podia ser o Messias. Mas se por acaso fosse, não se renderia tão facilmente. O Messias seria bem sucedido, nada poderia impedi-lo. (João 12:36)

*O templo de Jerusalém foi destruído em 70 D.C. pelo general romano Tito.

Imagine a confusão na mente dos discípulos. certa vez Jesus perguntou a eles: quem vocês pensam que eu sou? Pedro respondeu: o Cristo**, filho do Deus vivo.
Pedro certamente cria nele. (Mateus 16:16)

**Cristo é o nome grego para “messias”, que significa “consagrado”.

Ao ver seu mestre solitário, Pedro disse: não te abandonarei.
Ao ver seu mestre cercado, Pedro disse: lutarei por ti.
Mas ao ver Jesus se render, Pedro disse: não conheço este homem.

Duas vezes ele repetiu, até ouvir o galo cantar. Foram só dois cacarejos, mas o que Pedro ouviu foi o eco da voz de seu mestre:
“na verdade, três vezes me negarás”. (Marcos 14)

Pedro realmente acreditava que Jesus fosse o Messias, mas assim como os líderes judeus, ele se recusava a imaginar um Messias passivo, derrotado e morto. A única pessoa que parecia insistir numa ideia assim era… o próprio Jesus.

No dia anterior, Jesus partiu o pão e disse: “tomem, este é o meu corpo”
Depois pegou o cálice e disse: “esse é o meu sangue, que é derramado em favor de muitos”. (Marcos 14:22)

O anseio por um herói nacionalista e guerreiro, semelhante ao rei Davi, não permitiu que os Judeus reconhecessem nas escrituras alguns aspectos do Messias:

um frágil cordeiro que salvaria pessoas do mundo todo do pecado e da morte por meio da própria morte.

O profeta Isaías (700 a.c.) descreveu o sofrimento e a morte do Messias. De uma maneira interessante, o capítulo 53 do livro de Isaías começa dizendo: “Quem creu em nossa mensagem?”.

“nós o considerávamos castigado por Deus (…) mas pelas suas feridas fomos curados”

“como um cordeiro foi levado para o matadouro”

“Ele derramou sua vida até a morte (…) pois levou o pecado de muitos, e pelos transgressores intercedeu.”

Jesus conhecia bem esse texto. Assim como o Salmo 22, de Davi (1000 a.c.), que diz:

“Deus meu, porque me abandonaste?”

“Todos os que me vêem, caçoam de mim (…) dizem: “Recorra ao seu Senhor, que Deus te livre.”

“perfuraram minhas mãos e meus pés (…) eles me olham com desprezo.”

“Louvem-no, vocês que temem o Senhor! (…) pois não menosprezou o sofrimento do aflito (…) mas ouviu seu grito de socorro”

“Todos os confins da terra se lembrarão e se voltarão para o Senhor.”

“Gerações futuras ouvirão falar do Senhor, e a um povo que ainda não nasceu proclamarão seus feitos de justiça, pois ele agiu poderosamente”.

E quem sou eu, se não um homem dos confins da terra, de uma geração futura, louvando ao Deus de Davi, por crer na morte redentora e na ressurreição de Jesus?

 

Sobre Joel Mozart

ilustrador, animador e compositor.
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