amizade

Sábado ouvi uma história incrível. Havia dois meninos vizinhos: Pedro e João. Os dois cresceram juntos, brincaram juntos, aprontaram juntos, levaram broncas juntos. Eram praticamente irmãos.

Os dois frequentavam a igreja quando pequenos, acompanhando suas mães, mas foram crescendo e percebendo que o lado de fora era mais convidativo. João foi o primeiro a se afastar da família, fazer novas “amizades”, começou a usar drogas e entrou pro crime. Pouco tempo depois foi a vez de Pedro seguir um caminho muito parecido. Ambos se perderam, mas o “destino” fez com que os dois vizinhos se encontrassem novamente, dessa vez presos na Delegacia do Adolescente. Os dois já tinham mulher e filho; e depois de alguns dias na delegacia voltaram para as suas casas. Eles passaram meses em liberdade, mas caíram no crime novamente e em pouco tempo acabaram presos.

Sabe qual é um dos lugares (se não o lugar) em que mais sinto a presença de Deus? No presídio. Na verdade é um Centro de Sócio Educação (CENSE), que na prática é um presídio de menores. Sábado eu e meu companheiro de fé, Edson, chegamos a uma ala do CENSE que não costumávamos visitar. Do corredor, cumprimentamos os internos um a um pelas portas das celas. Então Deus me mostrou uma parada: o motivo pelo qual eu fico tão feliz em ir ao presídio, é que eu vou lá pra encontrar Jesus; mas não nas músicas que eu canto, ou na pregação que fazemos. Encontro Jesus nos presos. Jesus diz: estive preso e você foi me visitar (…) pois quando fez isso a um dos meus pequeninos, fez a mim. (Mateus 25)

O Edson pregou sobre o cuidado com as más amizades (Salmo 1), e em seguida fomos conversar com os presos. Perguntei a um dos rapazes o seu nome, ele disse: “Pedro“. Ele me contou que tem muita vontade de tocar violão, e assim que voltarem as aulas de música no CENSE ele vai participar. Perguntei o nome ao companheiro de cela de Pedro; adivinhe… João. Os vizinhos estavam juntos novamente, dessa vez cumprindo uma pena bem mais longa, de mais de um ano. Eles me contaram parte de suas histórias. Para mim, a parte mais incrível, é que com toda a amizade e cumplicidade entre eles, eles nunca “caíram” juntos; nunca usaram drogas juntos, nunca roubaram ou fizeram qualquer crime juntos.

João e Pedro na verdade são nomes que eu escolhi para proteger a identidade dos rapazes; mas têm a ver com o que vi com os olhos da fé. Creio que essa relação entre eles pode ser uma amizade abençoadora, a exemplo dos apóstolos Pedro e João. Eles eram os “amigos chegados” de Jesus, estavam sempre com o mestre, e depois que Jesus Morreu e ascendeu aos céus, os dois fizeram coisas incríveis juntos (Atos 3 e 4).

Ao final da visita, os dois, juntos com outros rapazes, decidiram se reconciliar com Deus através de Jesus. Se dispuseram a ajudar um ao outro para que não caiam e não se esqueçam de Deus. Certa vez uma mulher disse a Pedro que ele serviria a Deus, e que o meio seria a música. O João disse: “e aí Pedro, imagina nós dois na igreja. Você tocando violão e eu tocando bateria.” Eu imagino e oro por isso. Você pode orar também?

Sobre Joel Mozart

ilustrador, animador e compositor.
Esse post foi publicado em caderneta, , prisão. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s